Journal De Bruxelles - Bayer é acionada na Justiça francesa por suposto vínculo de glifosato com malformações

Bayer é acionada na Justiça francesa por suposto vínculo de glifosato com malformações
Bayer é acionada na Justiça francesa por suposto vínculo de glifosato com malformações / foto: Jeff Pachoud - AFP

Bayer é acionada na Justiça francesa por suposto vínculo de glifosato com malformações

A Bayer negou na segunda-feira, em um tribunal francês, a suposta ligação entre a exposição de um menino ao seu principal produto, o glifosato, enquanto estava no útero de sua mãe, e as graves malformações de que ele sofre.

Tamanho do texto:

Esse processo civil pode "abrir um precedente" na França, onde outras possíveis vítimas do herbicida mais vendido do mundo podem levar seus casos "mais rapidamente" à Justiça, disse à AFP o demandante, Théo.

"Represento todas as pessoas com malformações", acrescentou o jovem de 17 anos, que não possui cordas vocais e fala com as vibrações de seu esôfago. "Essa luta me supera", reconheceu ao chegar ao Palácio da Justiça de Vienne, no sudeste da França.

Os fatos remontam a 2006, quando sua mãe Sabine Grataloup usou glifosato para capinar uma pista de equitação, pulverizando o produto "várias vezes por dia, sem nenhuma proteção especial". Naquele momento, não sabia que estava grávida de "várias semanas".

Théo nasceu em maio de 2007 "com o esôfago e a traqueia mal separados". Desde então, foi submetido a 55 operações para conseguir comer com normalidade, mas segue respirando e falando através de "um buraco na garganta", explicou sua mãe.

Em 2018, seus pais denunciaram a empresa Monsanto, que a Bayer havia acabado de comprar. Essa companhia americana forneceu a molécula do glifosato à marca Glyper, o herbicida usado por Grataloup, de 54 anos.

O Glyper é "um produto de revenda da Rondup", a famosa marca da Monsanto, e os recipientes não mencionavam o risco de malformação, afirmou a mulher, para quem a empresa minimizou a importância de sua toxicidade ante as agências reguladoras em todo o mundo.

Não existe "nenhum vínculo causal" entre o herbicida e a deficiência do jovem, assim como "não há nenhum efeito sobre a reprodução humana", afirmou, no entanto, o advogado da Bayer, Jean-Daniel Bretzner, ante o tribunal.

A família tenta confirmar a relação causal, com o objetivo de pedir perdas e danos. "Se tivermos sucesso, seria inédito", afirma seu advogado Bertrand Repolt, que explica que já houve processos contra a Bayer, mas em casos de câncer.

O Fundo Francês de Indenização para Vítimas de Pesticidas reconheceu em 2022 o vínculo entre o herbicida e a situação do jovem, que recebe desde então 1.000 euros (6.194 reais) mensais de reparação.

A Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o giflosato como um "provável cancerígeno". Desde o final de 2018, o produto está proibido na França para uso doméstico.

A decisão será conhecida em 31 de julho.

Y.Callens--JdB